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No início do carnaval paulistano sua função era apresentar a escola e saudar o público, mas com o passar dos anos o tradicionalismo foi se transformando em espetáculos monumentais.

O quesito era formado por batedores, homens altos que vinham com bastões à frente dos cordões, protegendo o estandarte de possíveis invasores. A partir de 1968, com o carnaval regulamentado, surgem comissões onde os componentes usavam vestimentas sofisticadas compostas de cartolas e fraques luxuosos.

Em 1979 a Mocidade Alegre fantasiou pela primeira vez uma comissão. Nessa década elas eram formadas apenas por homens, mas em 1983 o Camisa Verde apostou e colocou mulheres no seu elenco.

Outra ousadia nesse período foi a inserção da dança, a Nenê teve essa façanha em 1986. Antigamente os componentes não gostavam de fazer coreografias, pois diziam-se sambistas e não bailarinos.

Com o passar do tempo e o crescimento da folia paulistana, as agremiações começaram a caprichar, testando mesclar ritmos, performances e trajes cada vez mais sofisticados, atraindo cada vez mais a atenção do público e dificultando a apuração do jurado.

A coreógrafa da Tucuruvi, Cheila Fusco, ressalta o primor apresentado “Os coreógrafos recriam na avenida um ambiente mágico, que leva o público a lugares inimagináveis propostos pela imaginação dos carnavalescos”. Ela acredita que o segmento está sendo fortemente influenciado pelo carnaval carioca, mas em alguns casos as escolas ousam e mostram novidades impressionantes.

Alguns coreógrafos apostam em um elenco formado por profissionais, outros optam por capacitar pessoas que já atuam na própria comunidade. É o caso da Yaskara Manzini, que atua há 15 anos como líder do segmento e procura investir em uma comissão que seja feita por pessoas da comunidade, pois ela acredita que facilita o trabalho já que os componentes estão familiarizados com a entidade.

O regulamento ainda permite que o setor se apresente de forma tradicional, mas este modelo já foi praticamente esquecido. Em 2015 a escola de samba Mancha Verde, que trouxe o enredo ‘Quando surge o Alviverde Imponente… 100 anos de lutas e glórias’, abriu seu desfile com homens de cartola e fraque.

O quesito comissão de frente a cada ano que passa esta em constante evolução, com certeza nos próximos carnavais seremos surpreendidos com mais ousadia e inovação.

Fabiane Faria é formada em Jornalismo pela Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação, atualmente está cursando História e é membro de uma comissão de Frente em São Paulo.

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4 Comments

  1. Parabéns pela matéria, muito bom conhecer um pouco da história do carnaval com uma descrição tão sucinta, porém cheia de informações, que dá clareza e ideia sobre o trabalho por detrás dos bastidores!

  2. Ameii a matéria….Parabéns

  3. Passei por aqui. É sempre muito bom aprender e conhecer mais sobre o nosso carnaval. André Rosa

    1. Muito obrigado por nos visitar. Fique ligado que todos os dias temos novidades. Abraço.

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