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Dando continuidade a série ‘Por dentro do quesito’, hoje a nossa equipe traz para você os detalhes sobre o processo de criação dos elementos que compoem o quesito comissão de frente. Nossos jornalistas tiveram um encontro com Yaskara Manzini, atual coreógrafa da X-9 Paulistana, e ela nos passou detalhes do desenvolvimento deste setor.

Apesar de ser o primeiro contigente a entrar na avenida, a comissão de frente é um dos últimos quesitos a saber seu papel dentro do enredo. De acordo com Yaskara Manzini, que acumula uma vasta experiência neste segmento, na maioria dos casos o coreógrafo não decide o que a comissão vai fazer. “O que a comissão vai representar está atrelado à direção da escola e ao carnavalesco”.

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O primeiro passo do carnavalesco é escolher o enredo e, neste momento, ele mesmo vai decidir o que vem do começo ao fim do desfile, junto aos diretores da entidade. Em seguida passa a sinopse para os compositores do samba e eles a transformam em poesia e melodia. Nesta fase, o coreógrafo fica apenas de espectador, porém muito antenado.

O carnavalesco pensa na narrativa do enredo a partir de uma perspectiva de fantasias e alegorias. Porque normalmente a escola apresenta as fantasias antes de pensar na comissão.

Após a escolha do samba ai sim a comissão é avisada e o carnavalesco chega ao coreógrafo e diz qual será o personagem do quesito. A concepção cênica nem sempre parte de um diálogo entre carnavalesco e coreografo, às vezes é uma imposição do carnavalesco. Ambos fazem reuniões com a diretoria para fazer com que a comissão não implique na montagem geral da escola.

A obrigação da comissão de frente é apresentar a escola e saudar o público

Nesse período você já está com seu elenco escolhido, essas pessoas são bailarinos, que trabalham com dança, com esporte ou são da comunidade. Em sua formação, Yaskara exige que os ‘corpos falem a mesma língua’: que tenham um preparo físico para dar conta dos trinta minutos de avenida, cantando e dançando.

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A importância do canto

“A minha comissão canta e dança, pois se falhar o som, a gente não se perde. Quando você não canta, corre o risco de se perder”. A coreógrafa da xis ressalta que o canto obriga o componente a ter um estado maior de concentração, pois o canto potencializa o corpo. Antigamente os costeiros eram gigantescos, hoje em dia eles diminuíram e isso faz com que o corpo ganhe intensidade e mobilidade na pista.

Estratégias

É importante fazer com que o espectador se envolva com a comissão de frente, que ele levante, dance, vibre e se contamine com esse setor.

A escolha dos membros da comissão

De acordo com Yaskara o componente tem que ser daquele pavilhão, pois se algo der errado, podem julgá-lo por ser de outra escola.

A comissão de frente tem que ter personalidade. O componente tem que gostar de aparecer, mas deve trabalhar em equipe. Ser uma estrela na constelação, mas aceitar críticas.

“As palavras mais utilizada nos ensaios é: de novo, novamente, tenta de novo, vamos. A repetição ressalta no grupo uma qualidade de movimentos. Essa harmonia tem que existir no corpo”. A artista revela que algumas escolas mantém um perfil de componente, uma espécie de biotipo.

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Ensaios

O componente precisa de disponibilidade, pois são, em média, 36 ensaios, que acontecem entre cinco dias por semana, seis horas por dia. Yaskara defende que os membros precisam de cuidados com o corpo e também com a mente. “Meus componentes estudam, trabalham, namoram e possuem um ótimo convívio com a família. O sambista já tem essa fama de desocupado. Gosto de trabalhar a emoção e a pessoa tem que estar madura para tudo isso”, comenta.

Pesquisa por parte do coreógrafo

Após receber as informações sobre o papel da comissão na avenida, Yaskara realiza uma pesquisa a parte e os componentes também colaboram com informações. “Existe um compartilhamento de informações, que traz mais elementos para rechear a história, dar mais riqueza”.

Coreografia 

É relativa em relação ao tempo. O trabalho acontece aos poucos, de acordo com uma estrofe, um refrão e demora em média de 15 dias a 3 semanas, mas sempre há mudanças, até mesmo na véspera de Carnaval.

No caso da utilização de elemento alegórico, Yaskara diz que o trabalho é um pouco mais complicado por conta da produção, ensaios, decoração e toda logística em torno do tripé. Mas é um desafio que por vezes traz bons resultados. O apoio que leva a alegoria tem que estar sintonizado na comissão.

“Quando você entre na Avenida, está antecipando todo o conjunto que virá na sequência, um espelhamento da diretoria  e até da velha guarda. Esse pavilhão é a representação da alma imortal na escola, pois ele sempre vai existir. A educação do sambista e do componente da comissão é um rito e isso vem da quadra. Comissão é a pessoa, em estado social da escola, que tem obrigação de se comportar e representar. Temos a grande obrigação e responsabilidade de mostrar ao público não só um desfile, mas sim uma história que envolve gerações”, finaliza Yaskara.

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