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Por Felipe Cruz
Com a colaboração de Hugo Vicunha e Tiago Bombonatti

A terceira etapa da série ‘Por dentro do quesito’ vai mostrar o trabalho feito em torno dos carros alegóricos apresentados pelas escolas de samba. Para saber todos os detalhes sobre o desenvolvimento desses girantes, nossa equipe conversou com um dos carnavalescos mais tradicionais de São Paulo, reconhecido por seu requinte e sofisticação nas alegorias. O artista se chama Jorge Freitas e atualmente ele está produzindo seu segundo Carnaval pela Império de Casa Verde.

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O trabalho é iniciado logo depois do último desfile, quando o carro volta para o barracão. Seus chassis são colocados em cavaletes, para eles não ficarem com todo aquele peso direto chão. Após essa elevação, começa o desmonte, mas todas as bases são reaproveitadas.

O processo de criação inicia-se de acordo com o enredo, as alegorias devem estar inseridas no contexto do tema que será apresentado na avenida. Os materiais utilizados ficam a critério do carnavalesco e tudo é muito bem elaborado. O desenvolvimento vai da base para cima.

Sabendo o que cada alegoria vai representar, a equipe de barracão começa a fazer as plantas baixas, que são os desenhos arquitetônicos com as medidas no papel. Depois vem os cortes ‘AB’ e ‘CD’, que definem as laterias. A fachada do carro e toda concepção artística também está inserida nessa fase.

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Ao mesmo tempo outro grupo elabora os adereços, esculturas e todos os elementos visuais que farão parte dessa alegoria. Eles acompanham todo o processo de criação do carro, desde o ferro até o momento de aplicação de suas peças.

Em cada alegoria, passa, por ordem de execução: o mecânico, o ferreiro que faz toda a parte estrutural de ferro e de montagem, depois o carpinteiro, que trabalha com a madeira, em seguida, no trabalho do Jorge, vem forração, espuma, manta acrílica e a forração de tecido.

Na sequência, acontece a parte de laminação da escultura, com resina d’água ou pastelação com papel e cola, ou então a reprodução em fibra. Depois da pintura, entra em cena os aderecistas, citados anteriormente.

Quantas pessoas envolvidas

São equipes compostas por um coordenador e mais dois ou três ajudantes, contando a bancada. São 30 pessoas trabalhando por alegoria.

Quanto tempo leva esse processo

De criação até o produto final uma média de três meses.

Destaques e composições

Jorge gosta de teatralizar suas composições, então investe em uma base que facilite a teatralização.

“Eu posso ter uma alegoria bonita, mas o que mais me encanta é o ser humano, e ele tem que ser trabalhado”.

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Curiosidades: todas as fantasias que estão em cima dos carros são julgadas como alegoria e não como fantasia. O destaque faz a sua fantasia e cada carnavalesco tem uma definição para o seu destaque.

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Investimento

Na faixa de 250 a 300 mil cada alegoria. O carnavalesco da Império ressalta que, mesmo em ano de crise, existe a possibilidade de se fazer uma ótima decoração utilizando materiais simples.

Iluminação

É um processo que exige um certo cuidado. Os responsáveis por esse trabalho deve acompanhar todo o processo de produção, pois a equipe precisa saber por onde vão passar os fios e cabos, para não ter ter problemas quando tudo estiver pronto. Jorge diz que a iluminação dos carros ganhariam mais destaque se a luz do sambódromo fosse abaixada.

Dimensão

Cada escola tem a sua característica, a Império já tem uma marca e os carnavalescos devem se adaptar ao perfil de suas agremiações.

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Alegorias em São Paulo

“Acho que conseguimos fazer mudanças nas alegorias. Hoje elas são fantásticas, cresceram muito. Os artistas estão sabendo trabalhar muito bem”, destaca Jorge.

Fábrica do Samba

“Beneficia o Carnaval como um todo. Teremos um espaço para fazer não apenas as alegorias e fantasias, mas sim um local que podemos utilizar durante o ano inteiro e assim profissionalizar nossa equipe de barração e o Carnaval em si. As escolas devem manter sua essência, mas precisam abrir a quadra durante todo o ano, não só no período de Carnaval. O social não vive por 2 e sim 12 meses. A fábrica vai acrescentar nisso”, finaliza Freitas.

 

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