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O quarto capitulo da série ‘Por dentro do quesito’ traz para você o processo de criação dos sambas-enredo cantados pelos intérpretes e componentes das agremiações. Para saber como as obras são desenvolvidas, nossa equipe conversou com o intérprete e compositor Celson Mody, que atualmente lidera o carro de som da escola de samba Acadêmicos do Tatuapé.

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O processo é muito simples: a escola define o enredo, o tema. A partir daí, é criada a sinopse. Os compositores traduzem em letra e música. Dentro do regulamento, a obra precisa descrever essa história, com começo, meio e fim. A melodia deve obedecer as rimas,  ser coesa e respeitar à métrica, sem deixar de ser popular. Nesse processo, cada agremiação escolhe aquilo que é melhor dentre as opções que existem nas eliminatórias de samba-enredo.

Nesse quesito o canto é julgado, não o cantor. A nota, se divide em dois, letra e melodia. Os sambas tem em média 28 linhas, divido em dois refrões, a primeira e a segunda do samba, um formato que é praticamente igual em todas as escolas.

Processo de criação

O tempo de pesquisa para composição dos sambas, dura no máximo um mês. “Esse processo, para nós compositores, está cada vez mais simples, já que os carnavalescos entregam a história praticamente pronta” revela Mody. A partir daí, alguns elementos são fundamentais; como citar o nome da agremiação e descrever ao máximo o que será visto na Avenida.

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A comunidade nas eliminatórias

Nem sempre eles tem acesso à sinopse, mas se o samba emocionar os componentes, é difícil ele não ser o escolhido, por vezes, a escola até muda o enredo para se encaixar na música escolhida pelo povo. Uma boa melodia, não precisa ser perfeita tecnicamente, e sim tem que mexer com a emoção.

O método adotado pela Tatuapé é diferente. A diretoria já sabe o que ela quer, tanto em relação a letra, quanto a melodia. A partir daí, ela só seleciona aquelas obras cuja melodia está dentro do eles esperavam. E esse processo é todo fechado, isso facilita muito, porque é escolhido por todos os setores da escola, internamente.

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Mudança no estilo dos sambas

O Carnaval está mudando no que diz respeito a faixa etária, em todos os segmentos das escolas de samba. E isso se reflete nos sambas de enredo também. “Vejo um crescimento, composições melhores, mas ainda estamos muito atrás dos poetas de décadas passadas”, comenta Celson.

Carro de som

É formado por um quarteto de cordas, dois violões, cavaquinho e bandolim. Pode se acrescentar, sons de flauta, violino e sax, através do teclado, dependendo do estilo de cada agremiação. Cantores, um cantor oficial e quatro ou cinco apoios. Os ensaios da ala musical começam logo depois da escolha do samba.

Considerações finais

“Não há fórmula para compor. Você precisa se apropriar daquela história, e depois deixar fluir. O mais interessante é que você crie ideias novas mas sem perder ou descaracterizar a tradição do samba. O dinheiro é muito importante, mas ver o seu samba na quadra e na Avenida, é uma sensação muito próxima ao nascimento de um filho”, finaliza Celsinho.

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