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Por Felipe Cruz
Com a colaboração de Hugo Vicunha e Tiago Bombonatti

Começa hoje uma nova série no Amantes do Carnaval de São Paulo: ‘Por dentro do quesito’.

Vamos desbravar os nove quesitos avaliados nos desfiles das escolas de samba, contando com o olhar de especialistas em cada um deles. Você vai conhecer os bastidores da criação do maior espetáculo da terra e tudo que acontece muito antes do produto final chegar na Avenida.

Na primeira edição fomos ao encontro dos carnavalescos da Unidos do Peruche, Murilo Lobo e Sérgio Caputo Gall. O quesito? Fantasia. A dupla mostra o que existe por trás de todo o processo de concepção e execução dos figurinos, desde o primeiro traço do desenho até o dia da apresentação oficial. Acompanhe a reportagem e fique ‘Por dentro do quesito’.

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Tudo começa com a escolha do tema que a escola levará para a avenida no ano que vem. Esse processo acontece poucos dias após o último Carnaval. Em alguns casos, as agremiações já possuem um enredo na gaveta.

Feita a escolha, é hora de pesquisar a história que será contada. Os carnavalescos da Unidos do Peruche revelam que para se ter um bom desfile é necessário fazer uma boa pesquisa. No caso do enredo sobre alguma cidade, eles recomendam uma visita ao local. “Descobre-se questões históricas da cidade. Cada morador dá uma dica ou sugestão, amplia o universo de compreensão. A gente acaba conhecendo a importância de cada pessoa, cada lugar e suas festividades, isso traz valor ao enredo”, diz Lobo.

Após traçar todo o conceito da ideia, os artistas passam as criações para o papel, com seus riscos e cores, de acordo com o que foi pesquisado. Sergio Caputto Gall destaca que o quesito originalidade tem que existir nas fantasias. “Buscamos uma outra visão para o desfile. Ano passado eu vim com um índio, esse ano eu posso trazer ele novamente, mas não posso repetir. Trago ele com outra visão, sem perder a essência”, destaca.

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A  criatividade é um fator que preocupa os carnavalescos no momento de escrever a abordagem do tema. Eles tentam fugir do obvio e trazem ousadia e novidades em suas criações. Buscam traçar a poesia e a filosofia da história que será trabalhada.

Chega a hora do desenvolvimento dos pilotos. Essa fase pode durar até três meses e já conta com a participação do diretor de carnaval da escola, que checa os produtos que serão utilizados na confecção de cada peça. Depois de feita, ela é apresentada para a comunidade. Essa data é importante para verificar possíveis alterações ou adaptações na roupa e a comunidade também ajuda. “Eles notam se a capa está arrastando, se tem penas caindo e outras falhas. Faz-se mudanças. As alterações são feitas para buscar a excelência. Sente-se a necessidade de complementos” afirma Gall.

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Em seguida entra em cena o trabalho dos profissionais do atelier: costureiras, cortadores, modelistas e aderecistas começam a dar vida as fantasias que serão utilizadas pela agremiação. Essas pessoas também fazem um trabalho de reaproveitamento de peças do Carnaval anterior, visando a sustentabilidade e o respeito ao dinheiro público. Todos eles chegam a trabalhar até sete meses seguidos e, no caso da Peruche, existe uma liberdade para a execução dos trabalhos, desde que haja comprometimento e respeito aos prazos.

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Se o atelier atrasa por falta de material, faz-se um mutirão, mas com cuidado às penalidades pelo mal cuidado na execução.

Ferragens: é passada uma dimensão ao ferreiro e ai ele elabora uma medida padrão para cabeça e costeiros. Existe uma preocupação com os ritmistas, que preferem fantasias pequenas por conta do peso e calor. É um quesito que precisa de destaque, mas necessita conforto.

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Tecidos: o trabalho de escolha é longo e exige diversas trocas e muitas agremiações fazem sob encomenda. Quanto aos valores, procuram o mais viável.

Plumas: são naturais e sintéticas, essa última resiste à chuva. A Peruche já gastou, para 2017, cerca de 180 mil reais em plumas.

Fantasia pronta: o chefe de ala retira após a produção e entrega ao componente 15 dias antes do desfile. Antes de entrar na avenida a escola realiza, com os harmonias, um pente fino para verificar se as fantasias estão completas e se não há alguém em más condições para a apresentação. Quem não estiver completo será retirado. O componente é responsável pela fantasia. Na Peruche as fantasias custam entre R$ 25 e 75 reais.

A equipe de barracão e atelier leva agulha, linha, cola, grampeador, uma espécie de kit ‘primeiros socorros’. As alas chegam na pré-concentração do sambódromo com até 5 horas de antecedência.

A crise e as escolas de samba

Com o dólar caro, fica difícil comprar material importado e os profissionais precisam aderir ao mais barato, aqui do Brasil mesmo. Nessa situação, aprende-se a utilizar esses recursos mais em conta. Murilo destaca que é um desafio, pois existe a questão da vaidade, de mostrar luxo e capricho.

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Público: o espectador quer espetáculo, originalidade, genialidade e muita ousadia. Os dois reforçam a ideia de oferecer um desfile musical, visual e cultural, onde as pessoas consigam entender o que está desfilando na pista. “Queremos chamar a atenção do público com boas informações”, finaliza Murilo.

Fantasia: cada uma delas vai constar na pasta que é entregue aos julgadores.

Para 2017 a direção da Unidos do Peruche vai oferecer ao espectador um aplicativo que descreve todas as informações a respeito das alas que estarão na avenida.

 

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