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Após realizar o lançamento de seu tema oficial para 2016: “Do Canindé ao samba no pé! A Vila Madalena nos passos do balé”, a Pérola Negra compartilhou em suas páginas na internet a sinopse para os compositores e simpatizantes da agremiação. O texto foi desenvolvido pelo carnavalesco Fábio Borges.

Em breve a escola divulgará as informações a respeito da escolha do samba oficial.

SINOPSE 2016

“DO CANINDÉ AO SAMBA NO PÉ | A VILA MADALENA NOS PASSOS DO BALÉ”

O território onde hoje se situa o bairro de Vila Madalena fazia parte de uma imensa floresta, cenário grandioso onde era encenado um apoteótico bailado. Os sons da Mata Atlântica criavam uma sinfonia selvagem, de ritmo bárbaro e grandioso, enquanto bandos de araras num sincronizado voo exibiam sua coreografia aérea. Na sinuosa dança das águas dos igarapés, cardumes de peixes encenavam seu balé aquático. No chão, animais dançavam para seduzir suas fêmeas, e serpentes em suave dueto deslizavam entre arbustos. Embaladas pelo vento, as árvores iam e vinham num ritmado “balancê”.

Os índios, como parte integrante dessa imensa floresta, cantavam e dançavam por qualquer motivo, inspirados por esse balé da natureza. Presos aos tornozelos dos hábeis bailadores, chocalhos feitos de seixos, sementes e dentes, marcavam o compasso da dança. Canindé, Canindé, cantavam e dançavam pedindo vitória na guerra.

Os jesuítas, em seu processo de catequese, para atrair os silvícolas introduziram as danças nativas nos rituais da nova religião. Criaram versos em tupi para os cateretês que os índios dançavam em frente às ocas. Adultos vestidos de penas e listrados de urucu, acrescentavam o crucifixo a seus adornos, e compunham as orquestras onde a guararapeva acompanhava o canto e a dança dos novos rituais.

Nessa “zona rural” de São Paulo de Piratininga, passavam tropeiros com seu imponente bailado equestre, e os “cortadores de mato” dançavam a catira e o fandango.

Os negros, que se refugiaram nessa “vila dos farrapos”, ao fugir da escravidão, encontraram na música e na dança o consolo à crueldade dos castigos que tentavam esquecer. A grande variedade de instrumentos de percussão facilitava a execução de notável polirritmia, com um extenso quadro de danças dramáticas fetichistas, os batucajés, ou as alegres danças profanas, os desenfreados batuques. Aqueles vindos de Angola praticaram aqui os rituais de coroação do Rei do Congo. Um belo cisne negro em seu voo migratório, fascinado pela dança dos homens de sua cor resolve ficar por aqui.

Quando essa Vila Madalena não passava de um amontoado de casas e pequenas chácaras, seus moradores iam de casa em casa encenando a Folia de Reis, e dançavam a quadrilha em volta de fogueiras.
Mas o espírito festivo que conhecemos na Vila Madalena de hoje, chegou com os estudantes da USP, “dançarinos saltimbancos” que encheram o bairro de alegria e irreverência.

Chegaram os hippies e seus cabelões , e o som do roqueiro Piriri “balançou” os bares e as ruas da “Vila Woodstock”. Entre girassóis, purpurina, harmonia e simpatia, a irreverência dançou no “Santa Casa”. A Feira da Vila abriu as portas para a entrada de “bailarinos giramundo”, brincantes que chegaram com a capoeira, o frevo, o reisado, o maracatu, o boi-bumbá e a gafieira.

Dançarinos foliões vindos do mundo inteiro escolheram a vila como cenário para a encenação da gigantesca “ôla” que deixou saudades depois da Copa do Mundo. Pelas ruas que dançam num sobe-e-desce, os blocos carnavalescos arrastam multidões: SACUDAVILA, Os Madalena………

Pois é mesmo o samba, PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL DO BRASIL, que traduz a alma dançante da Vila Madalena. Ao som da bateria da Pérola Negra, até os mais silenciosos vizinhos, os moradores do Cemitério São Paulo, vão “balançar o esqueleto”.
Fábio Borges | Carnavalesco

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