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Se estivesse vivo hoje, o fundador e ex-presidente da escola de samba Nenê de Vila Matilde, Alberto Alves da Silva, o Seu Nenê, estaria com 97 anos de vida, brindando o Ano Novo e feliz por ver sua agremiação, que leva seu nome, completar 70 anos de existência.  A data é especial para uma das comunidades que é exemplo de tradição no Carnaval de São Paulo.

“Exaltando, a minha querida escola,
olha é toda coberta de glória. É a campeã das campeãs.
Parabéns, baluarte verdadeiro,
Alberto Alves, o orgulho do samba brasileiro”

São sete décadas memoráveis de uma entidade que possui onze títulos no Grupo Especial do Carnaval de São Paulo, entre eles, dois tricampeonatos. Até 2000, ela foi a escola com mais títulos no Especial, fato este que a corou como ‘a campeã do século’.

Alegoria da Nenê em 2017 (Foto: Guilherme Queiroz / Amantes do Carnaval de São Paulo)

Nas cores azul e branco, a entidade foi fundada em 1949 por um grupo de sambistas que na década de 40 faziam rodas de samba no Largo do Peixe, no bairro da Vila Matilde, Zona Leste de São Paulo. No dia 1º de janeiro daquele ano, ao tentar registrar e assinar a ata de fundação, as pessoas que viriam a ser os grandes baluartes da agremiação perceberam que tinham esquecido do mais importante: o nome da escola.

“Tantos anos,
de brilhante trajetória, é o que eu guardo na memória,
e aquece o meu coração. Eu, para sempre hei de te amar, tirando em primeiro, segundo ou em qualquer lugar, estou falando de você, minha querida Nenê”.

O homem que trabalhava no cartório perguntou quem era aquele negro alto que enquanto todos discutiam o nome da escola tocava o seu pandeiro tranquilamente. Responderam-lhe que era o Nenê. O funcionário então sugeriu que o nome da escola fosse Nenê de Vila Matilde. Ao contrario de outras agremiações paulistanas, a Nenê já nasceu como escola de samba.

Rainha de bateria da Nenê em 2017 (Foto: Guilherme Queiroz / Amantes do Carnaval de São Paulo)

Em seu curriculum, constam homenagens à Zumbi dos Palmares, em 1954, Chica da Silva, em 1959, Monteiro Lobato, 1965, às Carrancas do Rio São Francisco, em 1976, Pernambuco, em 1987, a escola do coração de Seu Nenê, a tradicional Mangueira, em 1998, e o cartunista Ziraldo, no ano de 2003, entre outras.

Componentes da Nenê em 2016 (Foto: Felipe Cruz / Amantes do Carnaval de São Paulo)

A Nenê sempre foi uma referência em São Paulo, a ‘bateria de bamba’ é marca registrada da casa, traz uma cadência diferenciada de todas as outras e encanta o público por onde passa. Nas décadas de 80 e 90, a comunidade sempre conquistou as primeiras colocações do Grupo Especial e seu último campeonato aconteceu em 2001, dividido com a Vai-Vai.

“Não sei mensurar o tamanho do meu Amor. Seu azul e branco me encanta. O ‘para sempre hei de te amar’ é a frase que resume esse sentimento. Ser matildense é primazia”, declara Vilma Aparecida, componente da Nenê desde 1983.

Ritmista toca cuíca na Nenê (Foto: Guilherme Queiroz / Amantes do Carnaval de São Paulo)

Em meio a essa comoração, o Amantes do Carnaval de São Paulo produziu em dezembro de 2018 e divulga hoje uma reportagem especial em homenagem a esses 70 carnavais vividos pelos componentes da águia da Zona Leste. Nossos repórteres visitaram o acervo onde se encontram as relíquias de Seu Nenê e também conversaram com baluartes e personalidades que dão suas vidas pela ‘querida Nenê’. Confira.

Em 2019, a Nenê desfila pelo Grupo de Acesso com o enredo “A majestade do samba chegou! Corri pra ver..pra ver quem era. Chegando lá, era a Nenê e a Portela”. A agremiação será a quarta a desfilar no domingo de carnaval.

Esta reportagem contou com a colaboração do jornalista Felipe Cruz e o fotógrafo e cinegrafista Felipe Silva.

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