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Por Gustavo Andrade
Com a colaboração de Felipe Cruz, Tiago Bombonatti e Hugo Vicunha.

A oitava parte da série ‘Por dentro do quesito’ fala sobre evolução. Você sabia que é ela quem define como a dança será apresentada ao longo do desfile? Em sua execução, é necessário que os componentes das alas estejam todos no mesmo ritmo e respeitem a cadência da bateria.

O quesito evolução trouxe muita confusão na apuração das notas do ano passado. Quem não se lembra do segundo jurado que não mostrou qual era a pontuação da Império de Casa Verde que, por regras do regulamento, ficou com a maior nota?

Para explicar a responsabilidade que é administrar a movimentação das alas e componentes pela avenida, nossa equipe se reuniu com Fernando Penteado, Diretor Geral de Harmonia do Vai-Vai, componente da escola há 64 anos.

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Uma volta ao passado

Segundo lembra Penteado, até a metade da década de 1970, a evolução era conhecida como “samba no pé”. Mas com o aumento do número de escolas, houve a mudança do nome após uma votação entre os dirigentes.

Entre os pontos mais importantes deste quesito, o sambista destaca que são a espontaneidade, ânimo, alegria e harmonia. Contudo, ele observa que o carnaval paulistano passa por um engessamento. “O que estamos vendo é a mesma coisa que num campo de futebol. A exemplo do Santos Futebol Clube, você tem o Robinho. Se chegarem até ele e disserem que se der mais de duas ‘pedaladas’ estará expulso, acabarão com ele. É isso o que estão fazendo com os sambistas. Estão acabando com a nossa espontaneidade”, afirma.

Desafios para 2017

A evolução de uma escola surge ao fim do último carnaval, quando já se começa a pensar no próximo enredo. No caso do Vai-Vai, que levará “Mãe Menininha do Gantois” ao Anhembi, precisou-se trabalhar a evolução sobre os preceitos do candomblé. “Pretendemos, com isso, fazer um grande carnaval. A única coisa que nos impede, assim como a outras escolas, é o engessamento imposto. Estão querendo tirar o brilho do sambista. Estão querendo que ele não evolua, não sambe”, diz.

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Obediência às regras

“O que querem hoje é que todo mundo evolua de um jeito só. Mas nós vamos prezar por essa cartilha. Nós vamos jogar no regulamento. Não adianta eu ficar bravo”. (Fernando Penteado)

Obedecer às regras é fundamental para se atingir uma boa nota em evolução. Como exemplo disso, Penteado fala que é proibido permanecer mais de quinze segundos parado na avenida, pois há perda de um décimo na nota. O sambista também fala do chamado “efeito sanfona”, que é igualmente proibido. “Quem não faz efeito-sanfona na hora de parar é militar, mas eles treinam isso o ano inteiro. Estou até pensando em contratar um chinês para 2018, porque eles é que dão aquelas paradas militares”, brinca.

De acordo com Penteado, é possível observar na concentração a liberdade dos componentes. Há pessoas pulando, gritando, dançando, aguardando o momento certo da entrada. “Na medida em que a escola vai entrando, eu fico na faixa amarela, falando sobre o alinhamento, a distância de um braço entre um e outro. Na concentração, a espontaneidade é linda, mas quando vai entrar, eu ‘breco’”, comenta.

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Diferenças entre São Paulo e Rio

Diferente do que acontece na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, em São Paulo, a evolução passa pelos jurados quase no fim do desfile. Momento em que, na opinião de Penteado, todos já estão cansados. Para fazer com que o passista consiga cantar e dançar ao mesmo tempo, para a nota da harmonia não cair, é preciso que estejam todos muito bem ensaiados.

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