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O grande objetivo da tradicional escola de samba Vai-Vai é prestar na avenida, no Carnaval 2017, uma homenagem à mãe-de-santo Maria Escolástica da Conceição Nazaré, conhecida no candomblé por Mãe Menininha de Gantois. E, na noite desde domingo (2), a escola paulistana definiu a canção que vai ilustrar seu desfile no sambódromo. A equipe de compositores vencedora do concurso de samba-enredo é formada por Edegar Cirillo, Marcelo Casa Nossa, André Ricardo, Dema, Leonardo Rocha, Marcelão e Rodolfo.

Ouça o samba 2017 da Vai-Vai:

[toggle title=”Veja a Letra” state=”close”]Ê laroiê… abra o caminho pro Vai-Vai passar
A energia que emana do orun
Meus versos no acalanto de olorum
E no ayê… rufam atabaques no xirê
A roda gira no ilê, na força do candomblé
Vem da Bahia o seu axé
E lá das matas o brado ecoou
Oxossi o caçador… okê arô

Xangô… kaô kabecilê
eparrêi oyá… obá siré, obá
ogunhê meu pai ogum…

A “linda estrela” está por lá
Ilumina o terreiro do gantois
Iaô ô iaô… que lindo arco íris que oxumaré pintou
Seguindo o caminho que a mãe sempre quis
Na força, na fé e na mesma raiz
Um mar de oferendas pra te exaltar… odô iá!
Eu vou lavar a alma nas águas de oxalá
E sinto que o amor resplandeceu
O bem e o dom que deus lhe deu

Ora yê yê oxum, vem nos abençoar
A Bela Vista hoje vai cantar
Bate cabeça, abre a roda pra saudar
Mãe Menininha do Gantois[/toggle]

O grupo que conquistou a competição foi um dos mais aclamados pela comunidade preto e branco e também por simpatizantes que, durante essa última semana, utilizaram as redes sociais para formular enquetes e debates sobre a performance e desempenho das quatro obras finalistas.

ASSISTA O VÍDEO COM O ANÚNCIO DO SAMBA CAMPEÃO.

A última final de samba-enredo 2017 do Grupo Especial, contou com a presença da comunidade preto e branco e também componentes de entidades coirmãs, que começaram a chegar à quadra por volta das 20h e aproveitaram para curtir a abertura do evento.

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Neste momento, o time de canto, liderado pelo intérprete Wander Pires, relembrou os hinos e sambas-enredo da saracura, empolgando as passistas, baianas, casais de mestre-sala e porta-bandeira e outros departamentos que abrilhantaram o ato ao ritmo da bateria “Pegada de Macaco”, de mestre Tadeu.

Respeitando a ordem de apresentação, definida pela diretoria da agremiação, às 20h40 a primeira parceria, de número 7, formada por Zeca do Cavaco, Zé Carlinhos, Arlindo Cruz, Ronaldinho FDQ, Evaldo Rodrigues, Bruno Souza, Martinello e Binho, acabou com o clima de ansiedade de seus torcedores e subiu ao palco para apresentar pela última vez, nas eliminatórias da Vai-Vai, a sua composição. O grupo trouxe muitas pessoas munidas com bexigas e chamou a atenção ao portar um bandeirão estampado com o número de identificação da obra.

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Cada samba concorrente na final teve direito a seis passagens: sendo três com bateria e três com o time de canto.

Na seqüência foi a vez dos compositores João Osasco, Marcelo Marcondes, Jorge E, Tigrão, Dadá Camargo, Marcelinho da Carolina, Juninho Soberano e Chiquinho LS, responsáveis pela obra número 19, realizarem sua apresentação. Sob aplausos do público, o time iniciou a performance utilizando diversas bandeiras que estampavam e bexigas nas cores da agremiação.

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Em seguida foi a vez dos grupos de número 10 e 8 assumirem o microfone, respectivamente. Este último foi, visivelmente, o mais cantado por todos os espectadores presentes na Bela Vista. A torcida trouxe bexigas que formavam um arco-íris, em referência ao refrão do samba. Todas as parcerias soltaram fogos, que deram cor e emoção às performances.

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Logo depois os finalistas deram lugar ao Grupo Sensação, que acalmou os ânimos dos que estavam no local e relembraram diversos sucessos de sua carreira. Enquanto isso, os responsáveis pela entidade faziam uma reunião para definir o hino campeão.

Por volta das 0h20 o presidente, Neguitão, ficou responsável por agradecer aos diversos compositores que contribuíram para a realização das eliminatórias 2017 da escola que detêm o maior número de campeonatos no Carnaval de São Paulo e pediu para o intérprete da casa divulgar a canção que será cantada pelos componentes da Vai-Vai até o dia do desfile.

Equipe campeã:

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Quem foi Mãe Menininha de Gantois?

Nascida em em 1894, no Centro Histórico de Salvador, tendo como pais Joaquim e Maria da Glória. Descendente de escravos africanos, ainda criança foi escolhida para ser Iyálorixá (mãe-de-santo) do terreiro Ilê Iyá Omi Axé Iyamassê, fundado em 1849 por sua bisavó, Maria Júlia da Conceição Nazaré, cujos pais eram originários de Agbeokuta, sudoeste da Nigéria.

Foi apelidada Menininha, talvez por seu aspecto franzino. “Não sei quem pôs em mim o nome de Menininha… Minha infância não tem muito o que contar…”. Foi iniciada no culto dos orixás de Keto aos 8 anos de idade por sua tia-avó e madrinha de batismo, Pulchéria Maria da Conceição (Mãe Pulchéria), chamada Kekerê – em referência à sua posição hierárquica, Iyá kekerê (Mãe pequena). Menininha seria sua sucessora na função de Iyalorixá do Gantois. Com a morte repentina de Mãe Pulchéria, em 1918, o processo de sucessão foi acelerado. Por um curto período, enquanto a jovem se preparava para assumir o cargo, sua mãe biológica, Maria da Glória Nazareth, permaneceu à frente do Gantois.

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Foi a quarta Iyálorixá do Terreiro do Gantois e a mais famosa de todas as Iyálorixá brasileiras. Em 1922, através do jogo de búzios, orixás Oxóssi, Xangô, Oxum e Obaluaiyê confirmaram a escolha de Menininha, então com 28 anos. Em 18 de fevereiro daquele ano, ela assume definitivamente o terreiro.

A partir da década de 1930, a perseguição ao candomblé vai arrefecendo, mas uma Lei de Jogos e Costumes, condicionava a realização de rituais à autorização policial, além de limitar o horário de término dos cultos às 22 horas. Mãe Menininha foi uma das principais articuladoras do término das restrições e proibições.

Mãe Menininha abriu as portas do Gantois aos brancos e católicos – uma abertura que, em muitos terreiros, ainda é vista com certo estranhamento. Mas afinal, a Lei de Jogos e Costumes foi extinta em meados dos anos 1970. Ela nunca deixou de assistir à missa e até convenceu os bispos da Bahia a permitir a entrada nas igrejas de mulheres vestidas com as roupas tradicionais do candomblé.

Mãe Menininha do Gantois faleceu em Salvador em 1986 de causas naturais, aos 92 anos de idade. No ano de 1976, foi homenageada pela escola de samba carioca Mocidade Independente de Padre Miguel, com o enredo “Mãe Menininha do Gantois”, do carnavalesco Arlindo Rodrigues. O samba foi interpretado pela cantora Elza Soares e o puxador Ney Vianna.

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