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A Mocidade Alegre realizou hoje (05) em sua sede social a explanação do enredo “Ayo-A Alma Ancestral do Samba” e na ocasião divulgou a sinopse do tema. O evento reuniu diretores e vários compositores interessados em participar do concurso de samba-enredo escola.

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Com uma temática afro, a agremiação fará no sambódromo uma homenagem aos cem anos do samba através da história de um ancestral chamado Ayó, o Deus do ritmo. A pesquisa e o desenvolvimento da obra serão feitos por Sidnei França, Fábio Parra, Sheila Falcão e Vinícius Martins.

(Veja como foi a festa de lançamento do Enredo)

Confira a sinopse:

Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Mocidade Alegre

A “Morada do Samba”

Carnaval 2016

“Ayọ – A Alma Ancestral do Samba”

…Quando, num terreiro de candomblé, numa roda de samba ou num ensaio

de escola de samba, o coração bate mais forte, a pele arrepia, dá vontade de

dançar e uma felicidade irradiante toma conta de você… Isso é Ayọ!

São Paulo/SP – Brasil – 05 de Maio de 2015

“Ayọ – A Alma Ancestral do Samba”

Ficha Técnica – Enredo 2016

Presidente

Solange Cruz Bichara Rezende

Supervisão Geral

Direção de Carnaval

(Solange Cruz Bichara Rezende, Marcos Rezende, Érica Ferreira, Sidnei França, Edson

Oliveira, Ariane Camilla, Eduardo Reck e João Lolla Junior)

Pesquisa e Desenvolvimento

Departamento Cultural

(Sidnei França, Fábio Parra, Sheila Falcão e Vinícius Martins)

Logomarca

Francisco de Assis

Desenvolvimento do Enredo

Xangô Liberta… O Corpo Balança, a Alma Revela… Axé, Ayọ!

Oyá Traz… Heranças Negras: O Semba Encontra o Novo Mundo!

Oxumaré Espalha… Da Lendária Bahia à Praça XI: A Luz de Ciata, a Tia do Brasil!

Omolú Transforma… “Pelo Telefone” o Brasil Revela: Eu Sou o Samba!

Ogum Eterniza… É Comunhão, É Escola, É Samba!

Apresentação do Enredo

Sob a luz do carnaval, o G.R.C.E.S. Mocidade Alegre – eterna guardiã da cultura e das

heranças afro-brasileiras – pede agô a todas as forças do céu, da terra e da vida para

exaltar o maior fundamento de sua existência: o Samba!

Buscando as raízes mais profundas do ritmo que simboliza o país encontramos, nas

matrizes africanas, Ayọ: força ancestral liberta de um tambor por Xangô. Por sua

vitalidade intensa e fascinante, presente nas celebrações e nos rituais, Ayọ foi

consagrado na África Ancestral como o orixá do som e da música!

A presença de Ayọ pode ser sentida por todos: a partir do momento em que um

tambor é tocado, seu som reverbera e mexe com nossos sentidos, pois o coração bate

mais forte, a pele arrepia, dá vontade de cantar, de dançar, de ser feliz…

Ayọ foi liberto por Xangô. Trazido ao Brasil pelos ventos de Oyá, foi espalhado por todo

o Brasil pelo arco-íris de Oxumaré, fazendo os tambores ecoarem em diversos ritmos

que se dialogam. Omolú, senhor da Terra e suas entranhas, aqui o transmutou para

que surgisse o samba: voz do povo brasileiro e símbolo de um país. Ogum, grande

protetor do povo brasileiro e dos sambistas, zela para que o samba tenha alegria,

comunhão e garra, o eterniza!

Que rufem os tambores – com alma, com raça, com vibração – para que seja sentida

por cada coração a força de Ayọ… A Alma Ancestral do Samba!

Axé, Família Mocidade Alegre!

Sinopse do Enredo

Setor 1 – Xangô Liberta… O Corpo Balança, a Alma Revela… Axé, Ayọ!

Nada mais nos impede

(Jorge Aragão, “Coisa de Pele”)

Foi há muito tempo, tanto e quanto já perdido na imensidão dos primórdios da

existência, ainda na África Ancestral, que um dos maiores reis que viveram na Terra –

Xangô – deparou-se com um pequeno tambor. O rei ficou intrigado com o formato

daquele objeto. Sua intuição lhe assegurou que aquele tambor, fechado em cima e em

baixo, escondia algo. Exu lhe avisou: há um irmão nosso preso aí dentro, e somente o

seu oxé, com o poder do trovão e a força da justiça, poderá soltá-lo.

Foi em um grande festejo em sua homenagem que Xangô golpeou o tambor com seu

poderoso oxé. Sob o coro de seus súditos que faziam uma linda dança tribal, o rei

golpeou o tambor, que partiu-se e revelou seu segredo: dentro dele, estava

aprisionado Ayọ, criatura divina da linhagem dos mais puros orixás, com a importante

missão de movimentar-se através do ar para propagar a alegria através da arte do

som… Do som nascia a música… Canto e ritmo unidos no dom de inebriar a alma e

balançar o corpo!

Uma vez liberto, Ayọ consagrou os tambores de diversos povos de Mãe África, que

tornaram-se porta-vozes de seu axé e passaram a ter o som poderoso como o trovão.

Uma vez tocados, enfeitiçaram homens e deuses que, tomados pela sua alegria, se

entregam às mais sublimes expressões da felicidade: cantar e dançar.

O destino de Ayọ será zelado por mais quatro divindades encantadas: Oyá, que o

levará para outro continente; Oxumaré, que espalhará seu axé pela imensidão do

território; Omolú, que o transformará em símbolo de uma nação e Ogum, que o

eternizará.

Da justiça de Xangô, a sua liberdade… Kaô Kabecilé!

Com sua força o corpo balança, a pele arrepia, a alma revela… Axé, Ayọ!

Setor 2 – Oyá Traz… Heranças Negras: O Semba Encontra o Novo Mundo!

“Isso é pra te levar no ilê

Pra te lembrar do badauê

Pra te lembrar de lá

Quem tem santo é quem entende”

(Carlinhos Brown, “Muito Obrigado, Axé”)

Quis o destino que Ayọ, a alma do som dos tambores, se espalhasse pelo mundo,

conquistando novos horizontes e conhecendo outros matizes. Quem recebeu a missão

de cruzar a imensidão dos céus e conduzir sua magia até as terras virgens dos trópicos

foram os tempestuosos ventos de Oyá Iansã.

Desbravando mágicas e alvas nuvens, uma revoada de pássaros cruzou o grande mar,

aportando assim no Mundo Novo. Trouxe consigo a energia de Ayọ, que aqui chegou

sob as bênçãos de Oyá.

Tanta energia, intensa e vibrante, esteve presente nas heranças negras das mais

diversas etnias que aqui chegaram e fincaram raízes – Haussás, gêges, iorubás, nagôs,

do Daomé, de Angola, de Kabinda, de Benguela, do Congo… É a negritude!

Ayọ fez propagar no portal encantado do Mundo Novo, a Sagrada Bahia, os cantos da

terra, os cantos da guerra, os sons da reza e do prazer. Presente em noites de festa,

em dias de guerra, em todos os tempos, ordena: que rufem os tambores, que entoem

brados de amor, que ecoem eternamente as vozes da alegria…

É Ayọ, a alma ancestral dos tambores, quem diz…

Foi Oyá Iansã, a senhora dos ventos e das tempestades, quem trouxe… Eparrei, Oyá!

Setor 3 – Oxumaré Espalha…Da Lendária Bahia à Praça XI: A Luz de Ciata, a Tia do Brasil!

“Esta dança é buliçosa

Tão dengosa que todos querem dançar

Não há ricas baronesas nem marquesas

Que não saibam requebrar, requebrar…”

(Chiquinha Gonzaga, “Corta Jaca”)

Oxumaré, leve e incontrolável como um arco-iris, astuto e respeitável como uma

serpente, espalhou o axé de Ayọ por todo o Brasil: na forma de cantos que

acalentavam o sofrimento do trabalho pesado nesse novo continente.

No interior, os mineradores passavam o dia cantando seus vissungos, rezando para

achar as pedras preciosas e sonhando com a liberdade, sempre acompanhados pela

magia hipnotizante dos tambores e pelos cantos em louvor aos seus deuses que

habitam os dois mundos: África e Brasil!

Nas cidades, a redenção da liberdade viu os tambores embalarem o canto dos pretos

novos livres nas Minas Gerais, em São Paulo, em Pernambuco, no Maranhão, e no

Recôncavo Baiano, mas foi no Cais do Valongo, dos marinheiros e estivadores na Pedra

do Sal, e suas rodas de batuque e de jongo na cidade do Rio de Janeiro, que Ayọ foi

lindamente acolhido nos terreiros urbanos.

As vozes libertas entoaram a reza e as festas lá na Praça Onze, onde se dançava o

“semba”, berço da mais pura linhagem negra no coração da capital desse país menino.

É um canto livre que paira no ar, é a força da cor no clarão do luar!

É a energia de Ayọ reluzindo o brilho de Ciata, a tia do Brasil… Arroboboi, Oxumaré!

Setor 4 – Omolú Transforma… “Pelo Telefone” o Brasil Revela: Eu Sou o Samba!

Sou eu mesmo sim senhor

Quero mostrar ao mundo

(Zé Kéti, “A Voz do Morro”)

Omolú, senhor da Terra e suas entranhas, com seu poder infinito de transformação,

garantiu que todos os tambores do Brasil, com sua força de comunicação, se

reconhecessem na força ancestral de Ayọ.

Batuques sagrados de axé nos terreiros, de romaria e de congada… Batuques profanos

de semba, de lundu, de capoeira… Inebriados da mais pura magia do canto e da dança,

seduziram e encontraram outros ritmos vindos de outros cantos do mundo: a polca, o

maxixe, o chorinho… O que essa mistura vai dar? Vai dar samba!

Já foi marginalizado e visto com preconceito. Mas, por suas origens negras de

garra e luta, a força do samba venceu barreiras, superou os preconceitos e

conquistou o Brasil e o mundo.

O samba é a mais pura tradução da força vital de Ayọ… Por sua história, suas

conquistas, sua originalidade e por ser um ritmo que traduz o sentimento, o jeito

de ser, a essência do povo brasileiro, tornando-se a mais genuína expressão de

uma gente alegre e faceira.

O primeiro samba gravado como tal? Chamava-se “Pelo Telefone”. O primeiro desse

ritmo que se transformou na “Voz do Morro”. Pelo Telefone o Brasil revela: Eu sou o

Omolú transformou… E na transmutação de cantos, danças e ritmos, dá licença, eu

tenho nome… Eu sou o Samba!

Setor 5 – Ogum Eterniza… É Comunhão, É Escola, É Samba!

“Meu samba tem muito axé

Quer ver, vem dizer no pé

Escute o som dos tantãs

Tem samba até de manhã

Vem ver o meu povo cantar

Vem ver, o meu samba é assim

(Xande de Pilares, Arlindo Cruz, Mauro Jr., “Samba de Arerê”)

Pelas forças de Ogum, orixá guerreiro protetor do povo brasileiro, o samba não parou

de se renovar, de sempre voltar, cada vez com mais força. Nasceram as primeiras

escolas de samba, que passaram a ser a expressão máxima do maior carnaval no Brasil

e no mundo.

Escola de samba é algo que defendemos e lutamos pra colocar no mais alto patamar

de nobreza que ela merece, para o mundo ver! Nosso samba não é só de avenida… A

gente quer samba o ano inteiro!

Ayọ também está no ritmo envolvente dos pagodes, do partido alto, das rodas de

samba!… Seja nos terreiros, nos quintais, nas avenidas, essa força infinita garante: O

show tem que continuar!

Despertando paixões, embalando multidões, levando alegria, magia, poesia a milhões

de corações, o samba é forte, é guerreiro… A identidade do povo brasileiro!

E hoje, o tambor do samba é o nosso coração, que marca o ritmo puro dessa

contagiante alegria… Afinal, nossa festa é família, comunhão, é escola!

A nossa força é a energia que vem de Ayọ – A alma ancestral do samba!

Oguniê… Atacuriô!

Axé, Ayọ!!!

GLOSSÁRIO

Ayọ (Ayô) – Palavra iorubá derivada de “Ayom Poolo”. Diz uma lenda africana que

Xangô libertou Ayom ao partir um tambor ancestral com seu oxé (machado),

possibilitando a propagação do som, o que originou a música.

Ayó – Palavra iorubá que significa “alegria, felicidade”.

Agô – Palavra iorubá que significa “licença, permissão”.

Axé – Palavra da língua iorubá que significa energia vital, bons fluidos.

Exu – Orixá da comunicação, da conexão, o que fecha ou abre os caminhos.

Xangô – Orixá da justiça. Rei de Oyó.

Oxé – Machado de duas lâminas, ferramenta de Xangô que simboliza a justiça.

Orixás – Divindades africanas intermediárias entre Olorum (o Criador) e os seres vivos.

Dos mais de 400 orixás, pouco mais de 20 são conhecidos no Brasil.

Oyá – Um dos nomes do orixá Iansã, deusa dos ventos.

Oxumaré – Orixá hermafrodita simbolizado pela serpente e pelo arco-íris, ligado à

Omolú – Conhecido como “Obaluayê Velho”, diferencia-se deste pela idade e por ter

como cores apenas o preto e o branco. Senhor dos mistérios da vida e da morte, é um

dos mais respeitados orixás.

Ogum – Orixá ligado à guerra, às batalhas, à proteção dos lares, protege os soldados,

os pais de família e a todos que se consideram “guerreiros”.

Semba – Palavra da língua Kibundo (Angola) que significa “umbigada”. Ritmo dolente,

com uma dança de pares sensual, ao som de tambores. Origem da palavra “samba”.

Cais do Valongo – Antigo porto e mercado de escravos no Rio de Janeiro.

Pedra do Sal – Local do bairro da Gamboa, no Rio de Janeiro, onde os negros libertos

faziam rodas de batuques e capoeira. Pelo grande número de habitantes negros, a

região era chamada, também, de Pequena África.

Praça Onze – Tradicional centro de cultura popular no século XIX, era e é um dos

principais palcos do carnaval: é o local onde hoje se encontra a Rua Marquês de

Sapucaí, no Rio de Janeiro.

Ciata – Tia Ciata, nascida na Bahia, era a mãe-de-santo de um terreiro de candomblé

na Praça Onze Seu terreiro também servia como centro cultural, onde intelectuais e

artistas populares faziam experimentações musicais que originaram o samba como

conhecemos. Entre os freqüentadores de sua casa, estavam Pixinguinha, Heitor dos

Prazeres, Donga e Sinhô. Foi em sua casa que surgiu a primeira escola de samba, a

Deixa Falar, formada por homens vestindo as saias rodadas das filhas de santo. Todas

as alas de baianas, obrigatórias em qualquer escola de samba, são uma homenagem a

Lundu – Ritmo que misturava instrumentos africanos e portugueses, muito popular no

Rio de Janeiro do século XIX. A dança, sensual, misturava o cortejo do minueto com a

irreverência das umbigadas do “semba”.

Polca – Dança de salão, com ritmo originário da atual República Tcheca. Fez sucesso no

Brasil em meados do século XIX, também conhecido como agarradinho, influenciou a

criação do samba, principalmente o de gafieira.

Maxixe – Também conhecido como tango brasileiro, tem um andamento mais

acelerado que o tango tradicional, foi o grande ritmo popular brasileiro no início do

Século XX, a Belle Époque. Teve forte influência na criação do samba brasileiro, sendo

que o primeiro samba considerado como tal, “Pelo Telefone” (1916), pode ser

facilmente reconhecido como um maxixe.

Chorinho – Nome popular do choro, primeiro ritmo urbano original do Brasil (Século

XIX). Dele, o samba herdou o cavaquinho, o violão 7 cordas e o pandeiro.

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