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Composto por João do Violão e Miltinho, o samba de 1992 da Rosas de Ouro foi escolhido como o melhor da azul e rosa de todos os tempos.

A enquete realizada no Facebook foi aberta, ou seja, não haviam opções de sambas pré-definidos e cada internauta poderia citar qualquer samba. Devido a isso, foram mencionados sambas que embalaram os carnavais da Roseira desde a década de 70.

Canções como “Até que enfim o sábado” de 1990, “Ataulfo Alves, o Poeta de Miarí” de 1977 e “A Velha Academia – Berço de Heróis” de 1984 foram lembrados pelos membros do grupo.

O samba que levou 34,4% dos votos totais, contudo, foi o que homenageou a cidade de São Paulo em 1992: “‘Non Dvcor, dvco’, qual a minha cara?”.

Cantado a plenos pulmões até hoje em ensaios e apresentações da agremiação, a obra superou – por pouco – o samba “Mar de Rosas”, cantado no ano de 2005. Enquanto o último foi cantado em um desfile que obteve o 7º lugar no Grupo Especial, aquele entregou o troféu de tri-campeã à escola da Brasilândia.

O que é Non Dvcor, Dvco?
“Non Dvcor, Dvco” é o termo em latim e sua leitura deve ser feita como “non ducor, duco” uma vez que no latim antigo o “U” era grafado como “V”.

O termo significa “Não sou conduzido, conduzo” e está presente no Brasão de Armas da Cidade de São Paulo por imposição do Ato nº 1057 de 08/03/1917 e por regulametação da Lei Municipal nº 3671 de 09/12/1947.

Quando da concepção do enredo da Sociedade Rosas de Ouro, a Lei Municipal acima mencionada já estava revogada pela Lei Municipal nº 8129 de 02/10/1974, que vigorou até o ano de 2002.

A lei, publicada pelo então Prefeito Miguel Colasuonno, assim foi redigida:

Brasão da cidade de São Paulo (1974 - 1987).svg“Art. 1º O brasão de armas da Cidade e Município de São Paulo, instituído pelo Ato nº 1057, de 8 de março de 1917, e restabelecido pela Lei nº 3671, de 9 de dezembro de 1947, passa a ter a seguinte descrição:

“Escudo português de goles com um braço armado, destro, movente do flanco sinistro, empunhando um pendão de quatro pontas farpadas, ostentando uma cruz de goles, aberta em branco sobre si, da Ordem de Cristo, içada em haste lanceada em acha de armas, tudo em prata. Encima o escudo coroa mural de ouro, de oito torres, contendo cada torre três ameias, duas janelas e uma porta. Suportes: dois ramos de café de sua própria cor. Divisa: NON DVCOR, DVCO de goles em um listão de prata”.

Assim sendo, sem citar explicitamente a inscrição do brasão, a Sociedade Rosas de Ouro trouxe ao Anhembi uma homenagem à cidade de São Paulo através de um de seus símbolos, sem deixar seu recado sobre preservação.

 

Ouça o samba:

Leia a letra:

Bom é recordar, bom demais
Velhos lampiões de gás, candelabros, garoa, galos nos quintais
O tempo passou perdido nos antigos carrilhões
Quando o gigante explodiu
Uma selva de pedra surgiu

O ar, cadê meu ar?
No Ibirapuera vou deitar e rolar
Paulista dos barões do café
Catedral, Marco Zero, salve a Praça da Sé!

Lugar de bamba, fala São João, fala Ipiranga
Rosas baianas faz no Largo do Arouche toda a cidade girar
É gol, treme terra lá na geral
São milhões de divinos violinos lá no municipal

Tietê, quero um dia beber você
As crianças virão saciar a sede na conchinha da mão
A estrela Sampa brilhou iluminando os pioneiros
Jesuítas vindos da Serra do Mar

Azul e rosa a passar
Azul e rosa é roseira
Roseira onde canta o sabiá

Meu sabiá, ô ô ô ô
Soltou o trinar, cantou, cantou
Deu um show na passarela
Levantou a galera
Bateu asas e voou

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