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Na noite desta sexta (10), a Acadêmicos do Tatuapé lançou a sinopse de seu enredo para o próximo Carnaval, quando cantará e contará “O PONTEIO DA VIOLA ENCANTA… SOU FRUTO DESSA TERRA, RAIZ DESSE CHÃO… CANTO ATIBAIA DO MEU CORAÇÃO”.

A sinopse, que também foi lançada em áudio, narra as belezas da cidade paulista com um tom nostálgico e caipira, culminando num agradecimento ao povo japonês pelo cultivo de flores e frutas que trouxeram fama e progresso à cidade.

Caso deseje, pode acompanhar a leitura do texto com a narração feita pela agremiação no player abaixo:

“É na moda de viola que agora vou contar um pouco da minha terra e da paz que ela me traz.

Manhãzinha chegando, o galo cantando me fazendo despertar

Nas belas manhãs dos campos, vejo o sol surgindo ao longe para aquecer meu paraíso,

meu pedacinho de chão, é minha fazenda querida, cartão postal do meu torrão.

Abro minha janela e deixo a brisa fresca entrar

Tenho por companheiro meu amigo sabiá, canta meu sabiá…

Por sina, da terra sou filho e violeiro e os sinais da natureza, por instinto compreendo

Gosto do meu refúgio, de ouvir o canto dos pássaros, do cheiro do capim molhado, das noites enluaradas…

Esse lugar tem encanto e magia e só com prosa não sei contar

Por isso pego a viola que me inspira a cantar

Abro a porteira do peito pra minha velha companheira, que se põe logo a ajudar

E assim de um jeito simples, vou contando do meu amor e das minhas fortes raízes

Avisto a beleza das serras, com o verde das matas em seus cumes.

As nascentes de águas límpidas, brotando por entre os vãos

Vão descendo lentamente e se juntam ao rio Tybaia.

É rio da minha infância, quanta história me faz lembrar…

Seu nome é herança indígena, não vivi naquele tempo, mas reconheço a importância dos habitantes primeiros.

Nas minhas doces lembranças, nunca deixo minha viola e nas modas que componho sol e lua me acompanham.

Meu pedacinho de chão tem beleza, fauna e flora, a exuberância é presente e me enche os olhos d’água.

Minha gente é hospitaleira, trabalhadora, forte e guerreira, tem no sangue a mistura e as crenças dos muitos que aqui chegaram.

E nessa moda de viola, faço gosto de contar

De uma terra pequenina, cresceu altiva e pujante e hoje está entre as mais belas das cidades sobranceiras.

Ah viola, minha amada companheira

Na história da minha terra, o eco do tropel das bandeiras, que de glórias e bravuras surgiu vila pioneira.

Foi bem nas terras fazendeiras, que a agricultura se fez.

Com as mãos escravizadas dos negros, que hoje com orgulho, exalto e devo tanta riqueza.

Foi muito cedo que aprendi que a saudade é o tom da viola

A gente nem sabe por que, mas o coração se aperta em nó…

Vou ponteando os acordes e trazendo os tempos de outrora

E na moda de viola vou cantando a minha gente

Que tirou e ainda tira o sustento da terra com honra e muito respeito

Canto o imigrante agricultor que trabalhou sem cessar, sem enfado e sem preguiça fez a terra prosperar.

No plantio trabalhou… algodão, cana, trigo e café.

E minha terra de um pequeno povoado, Atibaia se tornou

Sou violeiro e cantador das coisas simples do campo, vi o progresso chegando com a tal da industrialização,

mas sou caboclo da terra, minhas raízes não perco não.

Eu vivi e vi muita coisa, que jamais imaginei

Mas o trem Maria Fumaça o mundo novo me fez ver

Outros tempos, novos costumes, cultura e muito mais

Piuíiiiiii… Piuíiiiiii… chegou o trem fazendo assim

Com as nuvens de fumaça um povo de bravura e muita raça

Vou dedilhando a saudade…

Sinto orgulho da minha cidade

E agradeço aos índios, negros e imigrantes europeus que a ajudaram a construir sua história.

Falar de você é falar das mais variadas manifestações folclóricas que alegram o correr dos meus dias

Viva a congada, cavalhada e reisado!

Viva as águas de Oxalá e Nossa Senhora do Rosário!

Viva minha viola que embala as festas juninas com as bênçãos do padroeiro, São João Batista!

Com as bênçãos e orações, pego a incansável viola, o “arraiá” vai começar

Tenho o sanfoneiro do lado e a gente começa a tocar

A festa é muito animada e não tem hora pra acabar

Essa é a minha cidade, que tanto me faz cantar

Cadê a lenha na fogueira, pra modo da gente pular

A quadrilha tão esperada e um rabo de saia arrumar

Um minuto, por favor, primeiro uma prece ao nosso santo protetor

Nas tradições dos festejos não pode faltar romaria

É gente pra todo lado, todo muito enfeitado

Aqui tem sempre um ombro amigo, onde nos recostamos

Lugar inviolável, arrumado para nos comover

Para quem gosta da noite, muita música e comida da boa

Nas Igrejas a arte barroca revela a história e devoção

No Santuário, procissão, para agradecer a mãezinha

Nesse pedaço de chão, a fé embala o meu povo que clama aos santos com louvor.

Na crença que nos unem, as preces se multiplicam trazendo paz e esperança

Em cada casa um altar pra não esquecer de rezar pra milagrosa santinha

São coisas da minha gente arraigadas nesse chão

Por onde passo um recanto, um símbolo um monumento…

Até um templo de paz, símbolo da nossa irmandade.

Artesanato, apiário e outras coisas mais…

Sou um cidadão comum, que só quer contar das belezas da minha terra

Tenho comigo uma viola e as lembranças da aurora da minha vida

O som da minha viola mata tristeza e me faz feliz

Nela encontro minhas rimas e os acordes do coração

Sou um cantador do povo, essa é a minha missão

Minha terra é protegida pela mãe natureza

Nela busco minha inspiração

E nas cordas encantadas, desvendo suas belezas

Nas cores que traz alento, meus olhos a contemplam

Eu me esqueço do mundo por uns momentos

Ouço o gorjeio dos pássaros, os animais a brincar

Me emociono com seu céu de extremo azul,

E na perplexidade das asas de homens pássaros que voam colorindo o horizonte, de onde se enxerga o mais lindo cartão postal, Pedra Grande, que acolhe a vida entre as serras que assoviam o mais puro ar e mata a sede com suas fontes de águas puras.

Sou nascido nessa terra e com ela sei lhe dar

Vou semeando sonhos nas mais lindas canções

Que nasceu da viola parteira da nossa moda de raiz

Minha cidade, bendita seja, pois é de Deus tanta proeza!

Na minha terra tem folia

São dias de muito carnaval e alegria

Vou pras ruas ver a passagem dos centenários bonecões

Me entrego ao som das antigas marchinhas sempre embaladas

pelos blocos do Jacaré, Zé Pereira e Caveira, que lindo matiz

Na estação ferroviária passeio e vejo a criançada feliz

Nas suas festas e tradições um povo “arretado”

que também chegou e deixou seu legado.

Atibaia é minha paixão, seu nome se eleva no perfume das mais belas flores que viaja pelo vento e borrifam os verdes das matas em seus montes e na doçura dos seus campos avermelhados de morango.

Dedico minha última moda de viola aos nossos amigos japoneses, que trouxeram com a sua cultura esse frescor das frutas e flores que faltavam no meu chão e que hoje se consagra como a cidade das flores e do morango.

Minha cidade pitoresca e acolhedora, sempre cantarei o meu amor por você ao som da minha doce e companheira viola!

Sou fruto da terra, raiz desse chão!”

Para saber como foi o anúncio do enredo, clique aqui.

 

 

Foto de capa: instagram @luelisabete

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